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25 de Janeiro de 2022

Especulação no Mercado Financeiro: Como começou?

O momento em que a venda de tulipas na Holanda passou de especulação aos hábitos financeiros dos bancos. Esse texto, dará uma pincelada sobre o que é especulação e como ela surgiu.

Erick Sugimoto, Estudante de Direito
Publicado por Erick Sugimoto
há 2 meses

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Você vai encontrar neste texto, os seguintes tópicos:

  • O que significa especulação financeira?
  • Especulação no Mercado Financeiro: Como começou?

A especulação no mercado financeiro é um termo muito procurado quando as pessoas começam a entrar no mundo das finanças. Desse modo, perguntas como, por exemplo, “o que é especulação financeira” bem como “especulação financeira é crime”? (só para constar, não é) são frequentes no buscador do Google.

Isto posto, este termo pode ser utilizado para explicar vários acontecimentos nas crises financeiras, desde a crise de 1929 até a especulação financeira da crise de 2008 (crise do subprime).

Entre outros, vale pronunciar um conceito sobre especulação financeira, feito Fred Schwed:

A especulação financeira é um espaço, provavelmente em vão, para transformar uma pequena quantia de dinheiro em uma grande quantia. O investimento é um esforço, que deve ser bem-sucedido, para impedir que uma grande quantia de dinheiro se transforme em uma pequena quantia

Como complemento deste conceito, Ramiro Gomes Ferreira conceitua especulação financeira da seguinte forma:

A especulação é uma operação de curto prazo, com foco no preço do ativo especulado em detrimento aos seus fundamentos, e com o objetivo de gerar um resultado muito superior ao do mercado, assumindo riscos que podem comprometer todo o capital aplicado

Diante disto, vamos destrinchar o que significa especulação financeira para depois comentar um pouco sobre a sua origem lá na Holanda.

O que significa especulação financeira?

A especulação financeira é a aplicação de pouco dinheiro com o objetivo de lucrar muito mais do que a quantidade de dinheiro investido. Nesse sentido, os indivíduos que praticam especulação financeira, a fazem, muitas vezes, na bolsa de valores.

Ainda mais, a especulação financeira tem um olhar no curto prazo. Sendo assim, buscam ganhos acima da média do mercado com a aplicação mínima de dinheiro possível. Esta é a noção geral sobre o que é especulação financeira.

A fim de trazer uma forma conceitual, é interessante ver como Jesse Livermore escreveu sobre o que significa especulação financeira, descrevendo a pessoa que a pratica - o especulador:

O especulador não é um investidor. Seu objetivo não é garantir um retorno consistente ao capital aplicado em uma boa taxa de juros, mas sim lucrar tanto no aumento ou numa queda de qualquer mercado que ele possa estar especulando.

Diante de todo os exposto, é possível dizer que a especulação financeira possui as seguintes características:

  • Ganhos rápidos e voláteis;
  • Possui risco de grandes perdas;
  • Normalmente, compra ativos para vendê-los na valorização;
  • Na maioria das vezes, é um atalho ruim para enriquecer;
  • É uma forma de investimento agressivo.

Especulação no Mercado Financeiro: Como começou?

A especulação financeira começou no século XVII, na Holanda, com a compra e venda de Tulipas. Elas foram trazidas da Turquia. Nesse sentido, essa planta entrou na moda dos holandeses. Todo mundo queria tê-la.

Desse modo, o pessoal começou a plantá-la para vender. Nesse período, um vírus apareceu de surpresa e começou a infectar algumas tulipas. As plantas infectadas ficavam com uma pigmentação mais fraca.

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[...] O que era um dano para o vegetal deixava a flor mais bonita, com listras brancas, leitosas, entremeando o pigmento da flor. Esse vírus, porém, só atacava as plantas de vez em quando, o que tornava essa variedade um tipo raro, exclusivo.

Dito isto, as tulipas infectadas caíram tanto no gosto do povo que o seu preço foi nas alturas: um botão de tulipa custava o mesmo que um Rolex Daytona de ouro nos dias de hoje: duzentos mil reais.

Essas tulipas se tornaram um símbolo de luxo. Seu preço babilônico (colossal) fez com que a cotação de outras tulipas subissem. Uma tulipa que custa duzentos mil reais (R$200.000,00) fez outras tulipas de 20 mil reais serem vistas como baratas (acessíveis).

Acontece que os floristas ganhavam dinheiro com as tulipas apenas na primavera - época propícia para o florescimento destas flores. Desse modo, os plantadores tiveram a ideia de vender o bulbo da tulipa no inverno. Sendo assim, o consumidor compraria o bulbo mais barato no inverno e esperaria a tulipa florescer.

Esse cenário abriu portas para um novo mercado. Especuladores começaram a comprar os bulbos na expectativa de revendê-los mais caro depois que a tulipa florescer. Após este evento, o Plot twist começa. A criação de contratos.

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[...] os especuladores nem precisavam levar o bulbo para casa. Ficavam só com um contrato (um “título”, no jargão financeiro) que lhes dava direito ao dinheiro que a flor rendesse mais tarde.

Não se contentando a isso, os especuladores começaram a comercializar os próprios contratos. Um indivíduo que comprasse este contrato por dois mil reais poderia vendê-lo para outro interessado por 3 mil reais e, assim, conseguiria ter um lucro na hora ao em vez de ficar esperando as tulipas florescerem na primavera.

O indivíduo que, por sua vez, comprou o contrato por 3 mil reais, poderia vendê-lo para outro por um preço ainda maior. Isso fez com que cada vendedor obtivesse um lucro sem fazer muito esforço.

Esse cenário se desenvolveu para aquilo que chamamos de malabarismo financeiro: um indivíduo pega dois mil reais emprestados para comprar os contratos que lhe dão o direito aos bulbos de tulipas. No mesmo dia em que comprou esses títulos, ele os vendeu por três mil reais.

Sendo assim, o indivíduo teve um lucro sem ter investido nada. Isso é o que se chama de “Alavancagem”. Nesse sentido, Alexandre Versignassi escreve:

Um holandês qualquer que acordasse sem um tostão no bolso podia fazer o empréstimo de manhã, comprar a tulipa ao meio-dia, vender mais cara à tarde, pagar o que devia com juros e ir dormir com lucro. Dava para viver disso. E ainda dá. Tanto que os Bancos fazem dinheiro exatamente assim até hoje. Eles pegam emprestado pelo menos o triplo que têm e usam o dinheiro para investir. Depois pagam tudo e vão dormir com o lucro.p.13

Dito isto, o mercado de tulipas subia cada vez mais. O aumento do preço das tulipas infectadas faziam com que as outras espécies de tulipas subissem também. No entanto, chegou um momento em que o preço ficou exorbitante, não fazendo mais sentido gastar rios de dinheiro por uma única flor.

Além do mais, eram poucas pessoas que tinham o poder aquisitivo de comprá-las. É um recurso finito. Sendo assim, começou a faltar compradores.

Nessa mesma época, descobriram várias fraudes em que os floristas estavam vendendo mais contratos do que a quantidade de bulbos que tinha em estoque - era como imprimir dinheiro falso.

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Quem tinha vendido casa e carruagem para investir no dinheiro fácil das tulipas se viu com calças na mão de uma hora para a outra. Os contratos tinham virado “títulos podres”, como dizem os economistas. Não valiam mais nada. O governo precisou intervir, perdoando dívidas de pessoas falidas. E a economia demoraria anos para voltar ao normal. [1] p. 14

Foi desse modo que a especulação financeira teve origem na comercialização de tulipas no século XVII. A partir disso, ela se incorporou em hábitos de especuladores na bolsa de valores.

Gostou do texto sobre o que significa especulação financeira e como ela surgiu? Se sim, comente aqui embaixo o que você achou.

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Além disso, caso queira continuar essa conversa comigo sobre esse assunto, este é meu Linkedin: Erick Sugimoto.

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[1] Para qualquer um que acompanhou o que aconteceu com a economia antes, durante e depois da crise de 2008, tudo isso é familiar. No mundo dos investimentos, os primeiros anos do século XXI foram tão eufóricos como a época da mania das tulipas. Inclusive boa parte das ações subiu tanto quanto as flores de 300 anos atrás. Sem exagero, nos três anos anteriores à crise, as da Vale aumentaram quase tanto quanto as tulipas infectadas nos três anos de pico da bolha holandesa: 200%. As da Gerdau foram no mesmo pique das tulipas Gouda: 1.000%.

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VERSIGNASSI, Alexandre. Crash: uma breve história da economia: da grécia antiga ao século XXI. ed. 2. São Paulo: Leya, 2015.

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